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Jogos são atividades voluntárias

Estamos analisando jogos como entretenimento fruido de forma voluntária por uma ou mais pessoas.

John Huizinga(Huizinga, 1971), no que é tratado como o primeiro livro a pensar jogos como parte da cultura, considera que a primeira característica de jogar é ser uma atividade livre.

A maior parte do estudo teórico de jogos deixa de lado a obrigação de jogar, como a motivação profissional de um jogador contratado por um time. Assim, um jogador de futebol profissional não possui as mesmas motivações para a atividade do que uma criança no recreio da escola, então, normalmente, deixa de ser estudado dentro do contexto de Game Studies.

Isso é importante porque, na maior parte de nosso estudo, consideramos que as verdadeiras motivações para as pessoas jogarem estão ligadas a questões psicológicas como se divertir (fun) ou buscar uma interação social e cultural.

Esperamos que as pessoas estejam jogando porque decidiram não só jogar, mas também decidiram se manter no jogo. Se um jogo exigisse, de alguma forma legal, que a pessoa permanecesse dentro dele contra a sua vontade não teríamos mais um conjunto de condições que limitam nosso estudo e nossa criação.

Veja que o importante aqui é estar ciente de que fatores levam ao jogo, e principalmente se é uma escolha voluntária participar do jogo. Quanto mais distante estiver o total livre arbítrio sobre o ato de jogar, mais difícil será toda a teoria de motivação, diversão, objetivos e meios ser aplicável.

Essa característica também apresenta algumas questões. Por exemplo, muitas vezes pessoas se sentem na obrigação de jogar por causa da pressão social. Suponha que um grupo de amigos se reúna toda semana para jogar um jogo específico de que todos gostam. Um dia, todos no grupo menos um decidem jogar outro jogo, porém o que não escolheu, e detesta, esse jogo acaba participando, mesmo que seja mais um “sofrimento” do que não uma diversão. Ele o faz porque o jogo também é uma atividade social, logo existem outros interesses, que não só a diversão, na decisão de jogar ou não.

Finalmente, como em parte de nosso trabalho discutimos jogos com propósito, como jogos de negócio ou jogos educacionais, onde este princípio deixa de ser válido, teremos que adaptar a teoria genérica,  deixando sempre o contexto absolutamente claro. No caso, nossa ligação com Game Studies é qualquer desenvolvimento de jogos sérios apela, em maior ou menor quantidade, para uma atratividade baseada no fator de entretenimento do jogo, e em, pelo menos, em uma “boa-vontade” de jogar, agindo como substituto a vontade.

 

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